álbum pra ouvir na academia, jazz no espaço e o dinheiro não é tudo
discos, filme, anime e livro
Tempo estimado de leitura: 5 minutos.
Olá, efêmero leitor, como estão as coisas do lado daí?
Faz tanto tempo que não abro uma página em branco para escrever uma newsletter que não sei bem por onde começar!
O fim da graduação foi a minha inspiração para a última postagem publicada por aqui:
Desde então, meu foco se voltou para outro objetivo: passar em um concurso público. Espero MUITO que o resultado seja satisfatório! É angustiante estar em uma fase da vida na qual as pessoas constantemente perguntam “o que você está fazendo da vida?” e a única resposta ser “sou concurseira!” — enquanto várias pessoas que conheço já estão com seus empregos garantidos. Fiz uma escolha, preciso sustentá-la o máximo que puder. Mas isso é papo para alguma newsletter no futuro.
Por ora, vou preencher a página em branco com algumas mídias que consumi ao longo das semanas de minha ausência. Não necessariamente se tornaram favoritas ou super recomendo. Elas estão aqui pelo simples motivo de terem me distraído nos momentos de estresse e desmotivação.
Breach (2025) — Twenty One Pilots
Na minha enviesada humilde opinião, é o álbum do ano e acabousse! TØP é a minha banda favorita desde 2015. Desde então, quando o duo lança qualquer pedrada, estou lá para recebê-la bem na minha fuça e ainda agradeço pelo mimo.
Breach não chega perto da maravilha que é a tríade Vessel (2013) — Blurryface (2015) —Trench (2018), mas é um álbum com músicas que têm seu valor e podem crescer no ouvinte a medida em que este permite lhe dar uma segunda chance.
Prefiro ele ao Clancy (2024) porque as letras são mais coerentes entre si e com a proposta do álbum. Acho o outro um pouco bagunçado, parece um amontoado de músicas aleatórias reunidas em um disco (gosto do álbum, porém a coerência da obra é algo que prezo ao ouvir qualquer laçamento musical). Provavelmente sou uma das poucas pessoas a expor essa opinião. Faz parte!
Minha favorita no momento é Downstairs. Abaixo, deixo Drum Show porque vi gente que não gosta da dupla curtir bastante essa música. Vai que funciona para ti também!?
Cowboy Bebop (1998) — dir.: Shinichiro Watanabe
O advento dos portais hiperespaciais, que permitem a viagem entre planetas em tempo hábil, deram início a uma Era Espacial no Sistema Solar. Spike, um ex-mafioso, e Jet, um ex-policial, são “cowboys”, caçadores de recompensas que voam pelo universo em busca de cabeças a prêmio. Juntos com Faye, uma misteriosa mulher desmemoriada com uma imensa dívida; Ed, uma criança selvagem com um tino para o hacking; e Ein, um corgi dotado de inteligência humana; os cinco levam uma estranha vida em comunidade a bordo da nave interplanetária Bebop. [Sinopse da Crunchyroll]
A estética e o jazz me instigaram a dar play na obra o mais rápido possível.
Sinceramente, não sei bem o que dizer desse anime. De modo geral, os episódios começam com situações engraçadas envolvendo os personagens, partem para sequências de ação e perseguição e findam numa crise existencial danada! Isso tudo embalado numa trilha sonora sexy e melancólica. Virou favorito! Abaixo, a abertura:
Quincas Borba (1891) — Machado de Assis
Quando morre o filósofo louco Quincas Borba, ele deixa ao ingênuo amigo Rubião a totalidade de suas posses, com uma única condição: Rubião deve cuidar de seu cachorro, que também se chama Quincas Borba, e que poderia ter assumido a alma do filósofo morto. Rico, Rubião segue então para o Rio de Janeiro e mergulha em um mundo onde é cada vez mais difícil separar a fantasia da realidade. [Sinopse da Editora Unesp]
Meu livro favorito do Machado de Assis é Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). E, talvez, por superestimar tanto esse livro, fui para Quincas Borba com expectativas razoáveis — sabia que Machadinho não iria me decepcionar, por ser um escritor irretocável, mas já imaginava que QB não seria tão bom quanto Brás Cubas. De fato.
O que me agrada no livro é a ascensão e a queda do protagonista em relação aos vínculos sociais do personagem. Quando ele está bem de vida, várias pessoas aparecem prometendo céus e terras, convidando-o a frequentar espaços restritos aos endinheirados, a participar de encontros com pessoas importantes e por aí vai. No entanto, quando algo aconteceu com Rubião, seus “amigos” sumiram. Os que ficaram, ajudaram-no com má vontade, como se ele fosse um estorvo e estivesse atrapalhando suas vidas. Afinal, não era obrigação deles cuidar do personagem.
Por outro lado, a narrativa não me agradou tanto. Admito ter ficado com tédio em vários momentos, prestes a abandonar a leitura e procurar outra para suprir minha vontade de ler. Ainda bem que não larguei o livro, pois da metade para o final, justamente na reviravolta com o personagem, a obra fica viciante. O final é melancólico, mas coerente com a história.

Boi de Prata (1981) — dir.: Augusto Ribeiro Jr.
O rico herdeiro Elói Dantas quer ampliar os negócios do pai fazendeiro explorando ouro e xelita no pequeno sítio de Antônio Vaqueiro. Antônio recorre a Maria dos Remédios, uma curandeira cigana, e a Tião Poeta, fazedor de versos, para ajudarem-no a salvar o pedaço de terra que lhe resta. [Sinopse da MUBI]
Sobre o filme, deixo abaixo a minha review no Letterboxd. Não sou de escrever minhas impressões por lá, mas esse mereceu:
“Pois, repetindo as palavras de um
ancestral, ele dizia: ‘Quando o último peixe estiver nas águas e a última
árvore for removida da terra, só então o homem perceberá que ele não é
capaz de comer seu dinheiro’”. (A Vida Não é Útil (2020) - Ailton Krenak).
Da terra, vem alimento, sombra, território, lar, cultura, religião, arte, vínculo, memória, relações... Nem todo mundo enxerga essa complexidade como algo a ser preservado e um direito inviolável.
O filme mostra como o dinheiro, algo que não vem da terra, não tem o mesmo valor do que vem do chão, do que é inegociável e dá sentido real para a nossa existência na Terra.
É um longa dos anos 80, mas, infelizmente, ele segue atual. Muita gente por aí está com suas terras ameaçadas por pessoas que já têm as suas, porém não estão satisfeitas com o que tem, não querem dividir o mesmo espaço com o outro ou usam a vaga ideia de “progresso” pra tomar algo que não lhes pertence.
Não podemos permitir que terceiros interfiram no que é nosso.

#000000 & #FFFFFF (2014) — The Neighbourhood
O The Neighbourhood voltou e eu nem acredito nisso! Estou Doidinha da Silva para ouvir os próximos lançamentos da banda.
Minha empolgação tá tão imensurável que bateu uma vontade danada de ouvir a discografia do grupo. Nessa aventura, descobri que ouvir o #000000 & #FFFFFF enquanto faço abdominal e cardio é uma excelente combinação! E também é um dos meus discos favoritos do grupo. Abaixo, uma das minhas músicas favoritas do álbum:
Por hoje é só, querido efêmero leitor. Uma postagem fast food, rapidinha e sem a necessidade de nutrir o corpo e a alma, só para dizer que não abandonei esse espaço que tanto gosto de fazer parte. Se cuida daí e até a próxima patacoada!
Com carinho,
Erika Larissa.
16 de outubro de 2025.
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