Comemoração de aniversário e uma mudança de percepção
Nunca fiquei tão grata e satisfeita por habitar meu corpo e ser eu
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Olá, efêmero, tudo bem do outro lado daí?
Quarta-feira passada apaguei 26 velinhas. Sendo honesta contigo, até pouco tempo, considerei a data do meu nascimento como um dia qualquer, por não me achar digna de felicitações. Para você ter uma ideia da irrelevância da data para mim, nos meus 25 anos decidi comemorar no dentista. Me mimei com uma extração!
Se a memória não estiver me traindo, a última festa de aniversário organizada pela minha mãe, tendo a família e alguns amigos como convidados, foi com 12 anos. Um belo dia, cheguei para ela e disse que não queria mais.
O “parabéns pra você” retornou após meus 16 anos, e raramente: surpresa no shopping organizado pelas minhas amigas e meu namorado; um bolo fofo e delicioso presenteado pela vizinha; e uma comemoração em dose dupla com a madrinha do meu irmão. Para substituir a festa tradicional, mãe passou a me presentear com livros ou algo relacionado — minha primeira estante veio com 21 anos, por exemplo. Esse ano não foi diferente. Na verdade…
Mudança de percepção
Agora vou chocar você, caro leitor, está preparado? Se eu te disser que esse ano foi despertada a vontade de olhar para meu dia com carinho e, com isso, aproveitá-lo do meu jeito?
Apesar do “parabéns pra você” permanecer apagado da lista de aniversário, a partir dos meus 18 anos fiz algumas coisas que deixaram meu dia menos melancólico e tinham a ver comigo. Contudo, o meu desdém com a data era tão forte, que eu não levava tão a sério as atividades escolhidas, por isso não se tornaram marcantes e especiais.
Pensando em mudar a minha percepção em relação ao meu aniversário, para os 26 anos decidi levá-lo a sério e planejá-lo com vontade! Ao pensar nas possibilidades de usar meu tempo disponível e limitado, e como encaixá-las na minha rotina, eis que ficou assim:
Acordar cedo para escrever no diário
Escrever no diário é uma atividade frequente. Até um dia antes do meu aniversário, eu escrevia no Google Docs, por questões de segurança. Como já planejava fazer algo diferente para marcar a data, investi em um diário físico — na verdade, é um caderno argolado. Inaugurei no dia!

Foto do céu
Adoro olhar o céu de manhã, é uma das primeiras atividades que faço assim que saio do quarto. No meu dia, amanheceu nublado, mas choveu bastante na madrugada. Fotografei antes do café da manhã.
Ir à academia e a primeira música
Não é só porque é meu dia que pensei em burlar algumas tarefas, por exemplo, faltar à academia. De jeito nenhum! O treino de quadríceps + panturrilha rendeu bastante. É meu treino favorito!
☘︎ Curiosilari #1: Meu ranking de treinos de musculação.
Quadríceps + panturrilha.
Bíceps + costas.
Glúteos + posteriores.
Peito + ombros + tríceps.
Aproveitei o tempo do cardio para escolher a primeira música para ouvir (é algo que levo muito a sério diariamente, na verdade). Acordei com muita vontade de dar play em Azul Da Cor Do Mar, do Tim Maia.
Ah! Se o mundo inteiro me pudesse ouvir
Tenho muito pra contar
Dizer que aprendi…
Também tenho essa sede, Tim.
Faixa bônus: Oldies Station, do Twenty One Pilots. É minha música de 2025, óbvio que tocou em seguida.
Make an oath then make mistakes
Start a streak you're bound to break
When darkness rolls on you
Push on through…
Ai, ai, essa música…
Primeira selfie
Faz poucos anos que decidi me fotografar, mais precisamente em 2022. Passo tanto tempo preocupada com coisas fora do meu controle que esqueço de prestar atenção em mim, nas mudanças físicas, sobretudo. Sabe aquelas trends no Instagram do tipo “você com tal idade X você agora”? Não tenho fotografias para participar…
Essa foi a primeira selfie com 26 anos. O sorriso é justificado por dois motivos: tirei o aparelho ortodôntico e estava animada para a próxima atividade.
Fui ao cinema sozinha
Sabia que no dia do seu aniversário o ingresso no Cinépolis é de graça?
Por ser dia de semana, meus amigos e namorado estavam trabalhando. Como eu estava a fim de sair, fui sozinha mesmo. Um mês antes, pensei em realizar meu sonho de ir à cafeteria localizada numa livraria na minha cidade. Mas não deu certo. A segunda opção era aproveitar o Clube Cinépolis. Por tanto, com apenas um ingresso grátis, carteira de estudante, garrafa d’água e guarda-chuva, fui radiante fechar meu dia com chave de ouro num dos meus lugares favoritos do mundo: o cinema!
Assisti a Mufasa: O Rei Leão (2024), porque era o único longa disponível no horário que desse para eu aproveitar e chegar em casa cedo. Dei 3 estrelas!
☘︎ Curiosilari #2: assisti ao filme somente com uma criança e o responsável por ela. O resto da sala estava vazia!
☘︎ Curiosilari #3: Foi a primeira vez que fui ao cinema sozinha. Dia especial!
Pensei em colocar uma primeira leitura. Porém, meu aniversário caiu no dia de trabalho dos meus pais. Logo, teria que ficar com meu irmão. Mas foi ótimo! O objetivo não era encher o dia com muitas atividades, e sim, torná-lo divertido e prazeroso.
Sei que as tradições de aniversário envolvem reunir pessoas e festejar mais um ano de vida do aniversariante. Teria sido maravilhoso sair com a turminha do barulho, cuja importância na minha vida é imensurável. Porém, usar meu tempo disponível para comemorar sozinha e do meu jeito foi tão bom quanto!
Quando alguém entra na minha vida e percebo que ela vai ficar por muito tempo, faço questão de lembrar a data do seu nascimento, pois sua existência se torna especial e sou grata por fazer parte dela. Contudo, por motivos que deixo para minha futura psicóloga, a melancolia e uma certa dose de angústia acompanharam os meus aniversários por bastante tempo.
Dessa vez foi diferente: acordei animada e cheia de energia para aproveitar o meu momento. À noite, antes de dormir, lembrei de tudo o que fiz ao longo do dia. Fiquei extremamente feliz e orgulhosa por ter me dado uma chance de comemorar o meu aniversário. Nunca fiquei tão grata e satisfeita por habitar meu corpo e ser eu. Feliz ano novo de vida para mim!
☘︎ Curiosilari #4: Esse ano, mãe me presenteou com Os Irmãos Karamazov (1880), do Fiódor Dostoiévski e Sobre a Brevidade da Vida (49 d.C.), do Sêneca.
Com carinho,
Erika Larissa.
24 de fevereiro de 2025.

📓Bloco de Notas (12/02-25/02)
Espaço destinado para qualquer coisa que eu tiver achado legal no intervalo quinzenal entre newsletters.
📜Leituras (Livros, artigos, ensaios, newsletters…)
Minha newsletter “A visão de dentro da favela” apareceu no BOLETIM 137, da newsletter de magdiel. Muito feliz de ver meus textos aparecendo em outros lugares e sendo lidos por outras pessoas.
Uma senhora estadunidense de 100 anos escreve em diários há 90 anos. O diário e seu papel de guardião de memórias. Disponível em: https://www.washingtonpost.com/lifestyle/2025/02/09/journal-diary-centenarian-north-dakota-100/
O Hobbit (1937), do J. R. R. Tolkien. Minha experiência com as adaptações do Tolkien não é das melhores, por isso passei muito tempo relutando em dar uma chance para suas obras. Finalmente veio aí! Leitura divertidíssima, com personagens carismáticos.
🎬Audiovisual (Filmes, séries, animes, doramas, novelas…)
Flow (2024), dirigido por Gints Zilbalodis. Animação de encher os olhos de tão linda que é, com uma história comovente de sobrevivência e cooperação em um mundo inundado por água.
No Other Land (2024), dirigido por Basel Adra, Rachel Szor, Hamdan Ballal e Yuval Abraham. Documentário necessário e urgente ao mostrar a luta de um ativista palestino contra a expulsão em massa de sua comunidade pela ocupação israelense.
Robô Selvagem (2024), dirigido por Chris Sanders. Animação fofa que mostra a possibilidade da tecnologia ser uma aliada da natureza.
🎧Áudio (Músicas, discos, podcasts…)
My Kink Is Karma, da Chappell Roan. Meu vício do momento é essa música. Ainda não ouvi um álbum da artista, somente os singles, mas já amo!
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